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15.4.12

Vou falar de uma voz.
 Não vou escrever em poesia nem tentar impressionar, apenas explicar o que há para explicar. 
É uma voz com uma artéria que vai desde a boca ao coração, começa no sítio mais escuro do orgão muscular que bombeia o sangue e acaba no meu ouvido, ela gosta que eu a ouça dizer que eu não sei fazer amigos e gosta quando eu digo que não sei escrever sobre tios antigos.
A voz que estou a falar tem a textura das pastilhas de mentol e ás vezes gosta de morangos, mas quase sempre derrete ao sol. Não importa nada a quem pertence, é tão bonita. é tão gostável, aliás, tenho receio que seja demasiado gostável, é que é demasiado fácil gostar dela e eu importo-me de partilhá-la com uma mulher mais amável, alguém que seja também mais gostável.
Quebrei a promessa da poesia, eu sei, mas o teu corpo também não é um coração e mesmo assim ele será sempre rei.


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