Páginas

5.11.14




Alice está nua na rua mas nao pestaneja um pensamento que seja, vomita tristezas e despista as alegrias. O que é que interessam as alegrias, somos todos tão tristes. E velhos. E tristes. Somos todos tão feios e tristes. E velhos.
 Não somos mais que ridículas aberrações construídas de matérias plastificadas de asfalto e de doces. Nunca seremos felizes, nunca teremos filhos perfeitos nem nunca gostaremos de viver porque se gostássemos, atirávamo-nos diretamente da ponte sobre o tejo, que nos inveja e que nos destrói, seremos eternamente ridículos e mortais, seremos eternamente mortais.
 não move um único músculo do corpo, imóvel e erecta, no meio da rua morre por dentro, enquanto todas as outras pessoas compram inutilidades desnecessárias que servem que tem como único objectivo alimentar o ego que já está tão saturado que nem sente dor ou prazer. Estamos desnutridos de pensamento, e isso pesa-nos tanto que nem conseguimos andar de tão pesados que somos. Se pudessemos tínhamos nascidos todos da mesma mãe para não gastar tantos ventres.

26.10.14

Naquela altura eu teria morrido por ele,
e durante meses,
morri.
Existirão sempre irregularidades porque a própria existência  se define delas.
Existirão sempre mulheres porque as irregularidades não se definem sem elas.
Existirão sempre vontades e vontades cheias delas, existirão sempre razões para morrer entre duas janelas.
Nunca mais existirão alegorias nem saudades das mentiras, existirão apenas e só carros e casas vazias.

6.5.14

"Meu pai Frankenstein. Ele só saiu com a minha mãe uma vez. Eu nem sei seu nome. Ele nunca me viu, nunca soube o quanto o amei. Ele foi, eu fiquei. Ele é mais triste que eu, porque talvez ele não tenha ninguém, e eu tenho ele. Meu pai Frankenstein."

27.4.14

Tu és a melhor pessoa que eu algum dia eu  poderia ser.

28.3.14

 As piores memórias são as passadas, não só porque te pesam mas porque não sabes as futuras.
Contudo, estão sempre lá, para te aniquilar como um silencioso sniper bem no centro de ti.
Sempre como a última viagem da noite. A mais lenta. A pior. Eu gostei de ti, mas gostava mais se nunca tivesses sido pensado, se nunca ninguém tivesse dias a pensar num nome para te dar, ou então preferia que não tivesses ocupado espaço na barriga de alguma mulher, porque esse espaço tornaria outro alguém mais quente.
  O que faço com as Ruínas? 
  Não lhes tocarei até desaparecerem pelo seu próprio pé. 
  Há um muro de Berlim em mim que cairá vezes sem fim.
  

16.3.14


De um dia para o outro disseste que não querias compromissos, que preferias estar só, comigo, e com outros, sem mais ninguém. Que preferias não pensar no futuro e não falar do passado, mas então eu digo : tu não és pessoa. Não és nenhuma pessoa. Não és alguma pessoa. És só pessoa, e acabas entre os teus pés e o teu chapéu, e caso não tenhas  um chapéu, então és ainda menos pessoa, és um pouco menos do que Pessoa, mas não chegas para ser mais do que pessoa, muito menos para ser um Deus. Contudo, não queiras ser Deus. De qualquer forma, também não te podes dar a esse horrível luxo. O de nãoser o Diabo.




De língua inversa 
pouco sabemos
pouco falamos e 
muito bebemos

mas de língua inversa 
tudo queremos
muito falamos e
pouco sabemos


23.2.14

Estou sempre demasiado longe de casa
E mesmo quando estou mais perto
Continuo longe.

12.2.14


eles os outros
nós pelos mesmos
eles os poucos
que navegam serenos

10.2.14

Sinto muito a tua falta,
Mas sinto muito mais a minha.

25.12.13



Entre nós, só nós
Sós
com nós
o tempo inteiro até a um casamento ou funeral 
que utilizamos como propaganda corporal 
ou alimento sexual.
A carne crua e irritante
de um nojento animal.

3.3.13

A magia do que é triste
não está nos livros nem no que se diz
A magia do que é triste
está no que é incrivelmente feliz.

E a magia do que é triste
levou também a vida do capitão
De um rio que não tem janelas
Mas que tem um gigantesco coração.




17.2.13

Brinde a ti. Brinde a mim.
Brinde aos teus. Brinde aos meus.
Brinde à morte e às estrelas.
Brinde ao diabo que quer fodê-las.
Brinde ao Funk e ao amor.
 Brinde ao dinheiro e ao pudor.
Brinde aos pretos. Brinde aos brancos.
Brinde ao vinho e aos encantos.
Brinde ao Brinde e á verdade,
Brinde à mulher e à honestidade.

Brinde a ti e Brinde a mim.

Brinde ao princípio e Brinde ao fim.


 Ele não faz ideia 
dos efeitos que provoca em mim
Não faz ideia das coisas 
Que por ele prometi.

Não é que eu queira
Não é que não mude
Mas nesta feira
Fiz tudo o que pude.

Adivinha como acabei
Não adivinhes eu digo
Uma ménage com o Casal Garcia
E um coração sem-abrigo.